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Page history last edited by ivone 2 years, 6 months ago

 

 

DOSSIÊ DE INCLUSÃO

 

 

 

 

 

 

Durante a minha trajetória profissional encontrei vários casos de alunos com dificuldades na aprendizagem relacionados à distúrbios mentais ou outros problemas.

 

Estes alunos eram simplesmente jogados em sala de aula sem assistência de um profissional especializado. Consequentemente, não obtinham nenhum resultado positivo em relação a aprendizagem , até porque eu não estava preparada para atendê-los e sem nenhum apoio tornava-se quase impossível.

 

O caso mais sério ocorreu no ano de 2007, quando recebi uma menina com deficiência física causada por um acidente.

 

Antes de sofrer esse acidente essa menina era minha aluna e se enquadrava dentro dos padrões normais, ela estava acompanhando o desenvolvimento das atividades com facilidade até o dia em que foi atropelada por um carro e ficou em estado de coma por vários meses. Perdeu seus movimentos, a fala e seus reflexos.

 

Depois de um longo período de tratamento ela melhorou bastante e voltou para a sala de aula porém com muitas limitações. Havia esquecido tudo o que tinha aprendido, teve que adaptar-se a escrever com a mão esquerda porque seu lado direito permanecia imóvel.

 

Para locomover-se até o refeitório, ou ao banheiro necessitava de alguém que a levasse.

 

Os colegas que já a conheciam receberam-na com naturalidade, porém percebia-se que ela ficava muito irritada com a sua situação, pois não conseguia comunicar-se com os outros e não queria mais frequentar as aulas.

 

Para mim como professora era uma tarefa muito difícil porque a minha turma era grande e ela necessitava de atendimento individual, pois encontrava dificuldade no manuseio dos materiais.

 

Percebendo a situação, a direção conversou com os pais da menina alegando que seria melhor que a colocassem em uma escola que lhe oferecesse condições e profissionais adequados ao problema. Onde ela receberia atendimento especializado e teria acompanhamento psicológico,psicopedagógico e fisioterapia.

 

Os pais concordaram e a transferiram para uma escola da rede municipal que oferece tais recursos.

Baseada nessa experiência é que cheguei a conclusão que não basta boa vontade por parte dos professores para atender crianças com necessidade, é preciso estar preparada e receber apoio de profissionais da área. Também é necessário que a escola esteja adaptada para recebê-los.

 

 

 

                                                                   AS CRIANÇAS COM NECECIDADES ESPECIAIS DA MINHA ESCOLA

 

 

 

Trabalho numa escola da rede estadual, com duzentos alunos e onze professores entre séries iniciais e finais do ensino fundamental. No momento há um aluno da sexta série que se enquadra na educação especial por ser um cadeirante.

 

Nós professores do currículo também notamos que em nossas turmas há crianças que apresentam comportamentos diferentes dos demais. Procuramos falar com os pais que nem sempre aceitam a realidade do seu filho.

 

As principais características detectados por nós são crianças com dificuldades de aprendizagem, agressividade,  sem concentração, atenção e falta de limites.

 

Infelizmente a escola também não oferece recursos para receber crianças com necessidades especiais, mas os professores tentam encaminhar para profissionais especializados particulare, sus ou prefeitura.

 

Na turma que trabalho há um aluno que penso ser portador de necessidade especial, algumas colegas acham que ele é hiperativo, outras dizem que ele aparenta ter problemas mentais.

 

 

 

ESCOLAS ESPECIAIS E ATENDIMENTOS ESPECIALIZADOS EM SAPIRANGA

 

 

 

No município de sapiranga existe atualmente a APAElocalizada na Rua João Luderitz 319, Bairro Centenário. Sapiranga que tem como objetivo Promover e articular ações de defesa de direitos, prevenção, orientação, prestação de serviços e apoio às famílias, direcionadas a melhoria de qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária. Atende 120 alunos e está sob a direção da senhora Rejane Moz, 44 alunos são atendidos na escola especial, 45 no CAE- Centro de atendimento especializado e 31 alunos em clínica.

O município conta com profissionais capacitados na área de serviço social, psicologia, fonoaudiologia, estimulação precoce, fisioterapia, neuropediatria. Além do atendimento individualizado e grupal ao cliente da Instituição.

A escola oferece ciclos de aprendizagens espaços e intervenções a fim de construir conhecimentos que possibilitem a autoria do pensamento no seu processo de criar, construir e aprender para que cheguem à alfabetização, esportes, expressão e dança, inclusão, empresa indusiva, literatura, psicopedagogia inicial, arte e artesanato, laboratórios de aprendizagem.

PROJETO INCLUSÂO:

Em parceria com a SMED, escolas municipais, creches municipais e escolas estaduais. Nesse projeto alunos municipais participam dos projetos oferecidos pela Instituição e tem acompanhamento clínico e pedagógico. Alunos da escola são encaminhados para escolas municipais de acordo com a série que estão aptos a frequentar.

CAE:

PROJETO ESPORTE:

Tem como objetivo,dar oportunidade a os alunos de vivenciarem alguns desportos ,dando-lhes,noções de técnicas,regras e organização,através de atividades recreativas,educacionais e do próprio jogo. Além disso,procura-se inserir o aluno no ambiente social

A literatura visa proporcionar ao aluno a sua interação com o mundo das letras e da arte,ao mesmo tempo em que vivencia o processo de construção do conhecimento;desenvolver e incentivar o hábito e o gosto pela leitura enriquecendo seu vocabulário  e seus conhecimentos através de diferentes tipos de informação gráfica.

Através da psicologia inicial é oferecido aos alunos atendimento pedagógico individual, ou em duplas trabalhando as dificuldades cognitivas e emocionais de cada um co acompanhamento aos familiares

O grupo de artes usa a arte como um recurso a mais no processo de construção do conhecimento criando e recriando formas expressivas,interagindo percepção,imaginação,conhecimento,sensibilidade e criatividade.

O grupo de artesanato visa criar um espaço de experiência e produção,ampliando o conhecimento da comunidade frente às atividades desenvolvidas pela escola e a capacidade criativa dos alunos PNE's. Inclui oficina de fuxicos, pintura em mdf,confecção de bolsas,guirlandas.

A dança e expressão Tem como objetivo trabalhar a expressão corporal,através de teatros e coreografias,elaboradas com os alunos. O aluno se envolve neste trabalho e o resultado do mesmo é usado em apresentações para a comunidade.

O projeto laboratório de aprendizagem é oferecido aos alunos que frequentam as séries iniciais do ensino regular. É oferecido um acompanhamento do desenvolvimento do aluno. Trocas entre professores e técnicos que acompanham o aluno são feitas mensalmente através de reuniões entre a instituição e a escola de origem

PROJETO INFORMÁTICA:

Possibilita o uso de jogos educativos relacionados com o conteúdo trabalhado em sala de aula,despertando para a aprendizagem significativa.A proposta é desenvolver o conhecimento e o uso das mais diversas ferramentas,possibilitando o uso de pesquisa virtual,o uso de endereços eletrônicos como forma de comunicação mais ágil,estimulando,assim o resgate da auto-estima.

PROJETO CULINÁRIA: Propicia inúmeras possibilidades para o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar,além de oferecer aos adolescentes o aprendizado de deliciosas receitas,oportuniza o convívio social,a colaboração,o aprendizado da matemática ( pesos e medidas),o conhecimento da escrita,o desenvolvimento das habilidades manuais,autonomia,cuidados com a higiene pessoal,a importância de uma alimentação saudável,bem como a satisfação de degustar algo produzido por eles, valorizando as possibilidades de cada participante.

HORTA: Procura conscientizar os alunos de que a vida depende do ambiente,e isso é responsabilidade de cada cidadão do planeta:desenvolver a autonomia,organização e responsabilidade,através da escolha das sementes,plantio e cuidados com as plantas,sendo que o que for colhido será usado na merenda escolar e no projeto culinária

EJA /APAE NOTURNO Parcerias: APAE Sapiranga, SMED e EMEF Pastor Rodolfo Saenger.Clientela do EJA: alunos que frequentam a APAE, divididos em duas turmas. As idades dos alunos variam de 18 a 34 anos.

Módulo 1 - 8 alunos

Módulo 2 - 12 alunos

As aulas acontecem nas segundas, terças e quintas-feiras à noite, das 18h45min às 21h45min.

Os profissionais são cedidos pelo município e as orientações e o respaldo legal são repassados via SMED, através da coordenadora do EJA, senhora Ilca BarrosAs orientações pedagógicas são feitas na APAE, através de reuniões e supervisões individuais.

 

Mais informações sobre a APAE Sapiranga no site:

www.sapiranga.apaebrasil.org.br

 

NAE: NÚCLEO DE ATENDIMENTO AO EDUCANDO

 

 

O NAE foi criado em março de 2006. É mantido pela Secretaria de Educação de Sapiranga. Em março de 2008, o Núcleo passou a desenvolver suas atividades na EMEF Waldemar Carlos Jaeger.

Atualmente, o NAE atende em torno de 130 alunos oriundos das escolas municipais de Sapiranga, encaminhados pelas professoras e por uma avaliação da psicopedagoga itinerante através de uma ficha de encaminhado. Os alunos que ingressam no NAE apresentam dificuldades de aprendizagem, distúrbios de conduta, deficiência física, hidrocefalia, autismo, síndrome de sperger, síndrome de west, transtorno desafiador de oposição, deficiência mental leve, hiperatividade e outros. As crianças participam de oficinas e projetos no contraturno da escola, duas vezes por semana.

O objetivo do NAE é resgatar nos alunos a auto-estima, desenvolver diferentes habilidades e capacidades, assegurando o respeito em relação ao ritmo e as limitações de cada um.

Além do NAE, Núcleo de Atendimento ao Educando, temos o Pólo de Deficiências Visuais na EMEF 1º de Maio, que atende 4 cegos e 4 crianças de baixa visão. Duas destas crianças estudam na 5ª série e, em função de possuirem vários professores, eles recebem um atendimento individualizado, com uma professora qualificada. A escola está sendo adequada com livros, impressora braille, máquina de escrever em braille, material de matemática adaptado, entre outros. Os alunos recebem como apoio o transporte municipal.

 

 

 

                                                                                                ESTUDO DECASO

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO:

 

 

NOME: Juca

IDADE: 8 anos

 

Juca é filho de pais separados,não tem contato com o pai, mora com os avós durante a semana, nos finais de semana fica com a mãe que é operária de fábrica de calçados e o atual padrasto.

Juca é meu aluno, está cursando a 2ª série. Como professora dele percebo que é um aluno que apresenta dificuldade de aprendizagem e também um sério problema de concentração, é uma criança muito agitada e está sempre em conflito com os colegas. Tem um temperamento agressivo, pois muitas vezes sentindo-se contrariado chutou paredes, jogou sua mochila no chão e sapateou em cima.Também  bate nos colegas por pequenos motivos.

 

Juca é um aluno muito inquieto, perturba os colegas em sala de aula, pois nunca fica sentado em sua cadeira, ele não consegue se concentrar e não deixa os colegas se concentrarem. Prefere ficar brincando o tempo inteiro.

Quanto à aprendizagem: ele encontra muita dificuldade, não consegue acompanhar o desenvolvimento dos conteúdos e nem compreender, até mesmo na hora do conto ele não consegue ficar quieto ainda encontra-se pré-silábico nível 2 e não realiza cálculos, porém expressa-se oralmente o tempo inteiro com assuntos relacionados ao seu interesse e também não organiza-se com os materiais, perde seus lápis, borrachas, etc. Sozinho não consegue realizar as atividades por muito tempo, logo levanta-se da cadeira e sai, é necessário ajuda constante da professora ou colega para realizar alguma tarefa, mas mesmo assim não a conclui.

É um aluno que se irrita com facilidade e agride seus colegas tornando o relacionamento com os mesmos bastante tumultuado não conseguindo criar vínculos de amizade . Por esses motivos sugeri à mãe que o encaminhasse ao tratamento com um profissional adequado, ou seja, uma psicopedagoga. Já que o mesmo encontra-se em tratamento desde 2008 com uma psicóloga e ainda não temos um diagnóstico.

Foram feitas três avaliações psicopedagógicas e fechou critérios para transtorno de hiperatividade com déficit de atenção e então agora será encaminhado para o neurologista.

 

 

 

 

 

 Comportamentos observáveis na escola:

 

Juca é um aluno que não possui nenhum vinculo com a aprendizagem formal, não consegue ter concentração, atenção, nem mesmo para realizar brincadeiras ,pois sempre é agressivo com os colegas, é impulsivo e inquieto para todas as atividades solicitadas e não consegue realizar nenhuma, mas, tem compreensão do que lhe é solicitado, embora evita atividades que exijam um esforço mental, nunca termina o que começa e perde seu material sendo muito desorganizado, como tem dificuldade em seguir regras e instruções acaba irritando todos na escola ( colegas e funcionários).

 

 

UNIDADE 7 - Avaliação

 

 

 

 

Apesar do meu aluno apresentar problemas de hiperatividade com déficit de atenção, percebi neste trimestre que ele apresentou progresso em relação a aprendizagem. Esta evolução não foi o suficiente para acompanhar a turma, mesmo assim devo valorizar o que ele aprendeu, porque não posso esperar dele o mesmo rendimento dos demais , pois ele precisa de um tempo maior para assimilar os conteúdos desenvolvidos e também do meu incentivo para que continue progredindo.

Na minha escola a avaliação ocorre trimestralmente por pontuação, mas isso não impede que o professor avalie seu aluno através da observação, emitindo parecer descritivo sobre seu desenvolvimento.

Conforme o que li nos textos sobre avaliação, alunos que apresentam necessidades educacionais especiais não devem ser avaliados da mesma forma que os outros. Eles precisam ser observados e acompanhados em seu desenvolvimento e principalmente serem respeitados em suas limitações levando em consideração suas evoluções.

O professor deve considerar as condições oferecidas ao aluno, se estão sendo favoráveis e de acordo, com a necessidade que ele apresenta para que ocorra a aprendizagem e se ele está tendo a assistência necessária e correta. Também o professor deverá questionar a si próprio se está incentivando seu aluno e motivando-o para que haja aprendizagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments (4)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:20 pm on Apr 14, 2009

Olá, Ivone, imagina o sofrimento da menina ao ter que se adaptar a outra nova vida, com limitações, com certeza te empenhaste ao máximo para poder auxiliá-la. Acredito como você que os alunos PNEEs precisam de um atendimento personalizado com uma equipe multidisciplinar, mas também é muito importante o apoio da família, que neste caso vemos que esta presente. Também acredito que nos, professores, devemos cada vez mais buscar subsídios para poder ajudá-los no seu crescimento cognitivo e inserção definitiva, completa na sociedade. Esperamos que a disciplina te ajude.
Abraços
Maria Del Carmen

liliana said

at 9:12 pm on Apr 22, 2009

Ivone

é um caso que nos faz pensar ne? ao final de contas qualquer pessoa pode sofrer esse tipo de acidentes. Mas na minha opinião a escola não fez esforço suficiente...provavelmente estavas certa que ela precisava de um suporte adicional, fisio, fono, e até psicopedagogia...mas porque transferir? Não seria mais interessante se a escola dividisse a turma em dois grupos menores e colocasse a menina com um grupo menor para continuar dentro do espaço que ela já conhecia? De certo ela tinha amigos também ne? Uma coisa é certa, apenas boa vontade não é suficiente...mas ela ajuda na busca de alternativas. E hoje se acontecesse uma situação semelhante? o que pensas a respeito?
abraços
lili

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 10:12 pm on May 30, 2009

Oi, Ivone, quais as dificuldades que o teu aluno tem?, em que momentos ele fica agressivo?. Complementa a atividade falando mais sobre a vida dele e assim ja fica pronta a ativadede 4.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 10:21 pm on Jun 24, 2009

Oi Ivone
quem fez as avaliacoes? quais os resultados? o que a escola esta planejando agora para atuar com ele? que tipo de atividades?
faltam ainda as unidades 6 e 7 para apresentares, ficamos aguardando
liliana

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